terça-feira, 27 de setembro de 2011

“O preconceito ainda é muito forte”

Aos 16 anos, Kleber Mendes descobriu que tinha aids. Ele teve uma relação sexual desprotegida e contou à mãe. Ela pediu que Kleber fizesse todos os exames e o vírus HIV foi diagnosticado. Depois disso, o jovem viu sua vida mudar completamente. “Tive vários tipos de preconceito na escola. Apanhei, pessoas me xingavam e saiam correndo. Passava no corredor e começavam a gritar. Entrei no meu primeiro emprego e o meu chefe não podia me demitir, mas fazia de tudo para eu me demitir porque não queria um funcionário que tinha que fazer exames periodicamente”, relata. A princípio, Kleber pensava que tudo o que estava acontecendo era um castigo divino por ele ter tido relação com outro homem. Por isso, decidiu entrar no seminário. “Depois de um tempo lá, o padre pediu para que todos os seminaristas fizessem exame, porque nessa época muitos morreram em decorrência da aids. Fiz o teste, deu positivo e o padre me mandou embora”, conta. Para tentar superar tudo, Kleber começou a estudar Filosofia e a militar em prol dos portadores do vírus HIV. “Por meio da militância, consigo mostrar a força de continuar vivendo. É muito desafiante viver com aids. E o que me faz viver é isso: mostrar para os outros que vivemos normalmente como outras pessoas, embora viver com a doença tenha suas consequências. Afinal, é difícil para as pessoas entenderem que a aids é uma doença crônica. Mais do que uma doença biológica, a aids é uma doença moral, social”, desabafa o jovem. E foi com esse pensamento que Kleber, hoje com 28 anos, decidiu participar da campanha “Somos iguais. Preconceito não”, do Ministério da Saúde. “Para mim, foi um grande desafio, porque participar de uma campanha desse porte é dizer para todas as pessoas que tenho aids. Não é uma questão de aparecer ou de ficar próximo dos artistas, eu faço isso para que as pessoas já infectadas não passem pelo que passei, porque o preconceito ainda é muito forte”. fonte ministério da saúde

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